Em uma ação decisiva e de grande envergadura, o Ministro dos Transportes e Assuntos Marítimos da Costa do Marfim, Amadou Koné, que também ocupa o cargo de Prefeito de Bouaké, lançou nesta segunda-feira, 7 de setembro de 2026, uma “guerra total” contra a incivilidade rodoviária e o crime organizado que assolam a segunda maior cidade do país. A operação, que mobilizou um contingente robusto de forças de segurança, apresentou um balanço parcial impressionante em menos de um dia: 462 motocicletas foram apreendidas e 22 fumódromos, pontos de venda e consumo de drogas, foram desmantelados, sinalizando um novo e rigoroso capítulo na busca por segurança e ordem pública em Bouaké.
A iniciativa foi detalhada em um ponto de imprensa realizado na tarde desta segunda-feira na prefeitura, onde Melombé Fofana, 7º adjunto do prefeito, representou Amadou Koné e contextualizou a urgência da medida. Bouaké tem sido palco de uma verdadeira tragédia nas estradas, com estatísticas alarmantes que revelam a gravidade da situação. De 1º de janeiro a 19 de agosto de 2026, a cidade registrou 675 acidentes de trânsito, dos quais 293 envolveram motocicletas e 46 triportadores, resultando em um total de 63 mortes. O dado mais preocupante é que 90% das vítimas são jovens, um flagelo que tem dizimado uma geração e impactado profundamente a estrutura social da cidade. Apesar de inúmeras reuniões de sensibilização promovidas pelo prefeito com diversos setores da sociedade e no conselho municipal, a incivilidade persistia, exigindo uma resposta mais contundente.
A “guerra total” de Koné não é apenas uma retórica, mas uma operação multifacetada e coordenada. Batizada de “Civismo e uso obrigatório do capacete”, a ofensiva foi lançada em conjunto com a operação “Férias seguras reforçadas”, visando não apenas a segurança viária, mas também a repressão a outras formas de criminalidade que minam a paz social. Desde as primeiras horas da manhã desta segunda-feira, um vasto contingente composto pela polícia municipal, brigada especial, serviços de transporte, Polícia Nacional e Gendarmeria foi mobilizado e desdobrado em pontos estratégicos da cidade. A presença ostensiva e as ações coordenadas visam restaurar a ordem e impor o respeito às leis de trânsito e à segurança pública.
O primeiro balanço de meio período da operação, divulgado pelo Prefeito de Polícia de Bouaké, Comissário Divisionário Major Mobio Diangossé Maxime, já demonstra a eficácia da abordagem. No que tange à luta contra a incivilidade rodoviária, 462 veículos foram controlados, apreendidos e encaminhados para o depósito, com o mesmo número de multas emitidas. O impacto imediato nas ruas foi notável, com uma observação massiva do uso de capacetes por motociclistas, indicando que a mensagem de repressão e fiscalização está, de fato, começando a ser assimilada pela população. Os alvos prioritários da fiscalização incluem o não uso de capacete, a ausência de retrovisores, o desrespeito aos semáforos, as paradas anárquicas e os perigosos “rodeios” (manobras arriscadas) em vias públicas. As autoridades foram categóricas ao afirmar que os veículos apreendidos serão confiscados definitivamente, e a população foi expressamente orientada a não intervir nas ações policiais.
Mas a ofensiva de Bouaké vai muito além da segurança no trânsito. A operação também mira o combate ao tráfico de drogas e à proliferação de medicamentos de qualidade inferior e falsificados (MQIF), que representam uma séria ameaça à saúde pública. No front das drogas, 22 fumódromos foram visitados e completamente destruídos, resultando na prisão de 14 indivíduos envolvidos. Paralelamente, a luta contra os MQIF levou à apreensão de impressionantes 2 toneladas de comprimidos, distribuídas em 7 sacos, além de 530 comprimidos de Tramaking 250 mg, um potente analgésico frequentemente desviado para uso ilícito. Um indivíduo foi detido por envolvimento com os medicamentos falsificados, elevando o número total de prisões para 15.
A seriedade da operação é sublinhada pela presença e supervisão direta do Inspetor Geral de Polícia, General Dosso Siaka, Diretor Geral Adjunto encarregado dos serviços de segurança pública. O General Siaka foi despachado para Bouaké sob instruções diretas da alta hierarquia policial, incluindo o Vice-Primeiro Ministro, Ministro da Defesa, e o Ministro do Interior e da Segurança, demonstrando o apoio irrestrito do governo central à iniciativa. Em suas declarações, o General Siaka foi enfático: “Estou hoje em Bouaké para supervisionar a operação por instrução da alta hierarquia policial. A meio do dia, a operação decorre muito bem. Temos 80% dos motociclistas que usam capacetes”, destacou, ressaltando o sucesso inicial na mudança de comportamento.
O General Siaka garantiu que a varredura é completa e abrangente: “Todos os mercados, todos os cantos das ruas da cidade de Bouaké estão sendo minuciosamente revistados pelas forças policiais e de gendarmeria”. Ele também alertou para as consequências severas para os infratores: “Qualquer indivíduo que estiver envolvido em paradas de motos ou em rodeios, não só será levado aos tribunais, mas suas motos serão confiscadas definitivamente”. A mesma sorte aguarda os envolvidos com fumódromos e medicamentos falsificados. Concluindo sua fala, o General Siaka fez uma promessa clara à população de Bouaké e à nação: “A operação vai perdurar. Não será um fogo de palha. Faremos o balanço da operação a cada duas semanas aqui em Bouaké”. Esta declaração reforça o compromisso de longo prazo das autoridades em erradicar a incivilidade e o crime, transformando Bouaké em um modelo de segurança e ordem. A “guerra total” de Amadou Koné é, portanto, um sinal claro de que a impunidade e o caos não terão mais espaço na cidade.