Aprovação do Governo Lula Resiste a Escândalo de Lulinha, mas Economia e Jovens Acendem Alerta, Aponta Quaest

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Uma nova pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira, 02 de setembro de 2026, e encomendada pela TV Globo e pelo jornal O GLOBO, revela que a desaprovação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se mantém estável em 48%, com 45% de aprovação, mesmo após o recente desgaste provocado pelos inquéritos da Polícia Federal que miram seu filho, Fábio Luís, o Lulinha, por suspeitas de tráfico de influência e negócios ilícitos. O levantamento, o primeiro após o início da campanha eleitoral, ouviu 2.004 eleitores entre os dias 30 de agosto e 1º de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%, sob o registro BR-07065/2026 na Justiça Eleitoral.

A estabilidade nos números gerais de aprovação e desaprovação surpreende analistas, dado o peso das acusações que recaem sobre o filho do presidente. No último mês, a Polícia Federal abriu três inquéritos para investigar Fábio Luís, o Lulinha, por suposto tráfico de influência na área da Saúde, favorecimento em contratos com a Dataprev e outros negócios ilícitos durante a gestão atual. As investigações ganharam corpo após a PF solicitar aval ao Supremo Tribunal Federal (STF) para aprofundar as apurações, que surgiram a partir de indícios encontrados em investigações sobre desvios ilegais em aposentadorias do INSS. A corporação aponta uma possível parceria de Lulinha com a lobista Roberta Luchsinger e analisa um repasse financeiro da empresária a Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete do próprio presidente.

Aprovação do Governo Lula Resiste a Escândalo de Lulinha, mas Economia e Jovens Acendem Alerta, Aponta Quaest

Em sabatina recente na TV Globo, o presidente Lula foi confrontado diretamente sobre o andamento e os potenciais efeitos desses inquéritos. Ele classificou as acusações como “ilações” e defendeu a inocência de seu filho, garantindo que Fábio Luís provará sua inocência, mas negou qualquer tipo de blindagem aos envolvidos. A postura do presidente, aliada à aparente resiliência de sua base de apoio, parece ter contido um impacto mais significativo nos índices gerais de aprovação, que, no levantamento anterior de 14 de agosto, já mostravam a desaprovação numericamente superior à aprovação (48% a 46%), com uma variação de apenas um ponto percentual na aprovação desde então, dentro da margem de erro.

Contudo, a aparente estabilidade esconde movimentos preocupantes em segmentos específicos do eleitorado. A desaprovação de Lula subiu seis pontos percentuais entre os eleitores mais jovens, na faixa etária de 16 a 24 anos, passando de 47% para 53% desde o levantamento de 14 de agosto. Para essa mesma faixa, a avaliação negativa da gestão saltou de 35% para 42%, enquanto a positiva recuou de 32% para 27%, um sinal claro de descontentamento crescente entre a juventude. Entre os eleitores independentes, os números também indicam uma tendência de alta na desaprovação, que variou de 48% para 52%, embora essa oscilação esteja dentro da margem de erro para o grupo.

A Economia como Calcanhar de Aquiles

A principal preocupação dos brasileiros, e um dos maiores desafios para o governo, continua sendo a economia. A pesquisa Quaest revela que 66% dos eleitores afirmam que sua renda não aumentou ou subiu menos do que o custo de vida, um dado alarmante que reflete a percepção de estagnação ou piora do poder de compra. Quando questionados sobre a avaliação da economia brasileira no último ano, apenas 19% dos eleitores acreditam que melhorou, enquanto 29% não viram diferença e expressivos 49% afirmam que a situação piorou. Outros 3% não souberam ou não quiseram responder.

Esses números se alinham com dados macroeconômicos que indicam uma desaceleração. A economia brasileira cresceu apenas 0,5% no segundo trimestre, uma queda significativa em relação à expansão de 1,1% registrada nos três primeiros meses de 2025. O consumo das famílias, motor tradicional da economia, registrou uma queda de 0,4%, sinalizando uma retração no poder de compra e na confiança do consumidor. A avaliação geral do governo, que se desdobra em positiva, negativa e regular, também reflete essa apreensão econômica: 37% consideram a gestão negativa, 35% positiva e 25% regular, com 3% de indecisos.

Aprovação do Governo Lula Resiste a Escândalo de Lulinha, mas Economia e Jovens Acendem Alerta, Aponta Quaest

Variações Regionais e Estratégias Políticas

A análise regional dos dados da Quaest também aponta para movimentos importantes. No Nordeste, tradicionalmente um bastião de apoio ao PT, a avaliação positiva de Lula recuou nove pontos, saindo de 55% para 46%, atingindo o limite da margem de erro de quatro pontos para a região. No mesmo período, a avaliação negativa subiu de 20% para 26%. Em contraste, no Sul, reduto bolsonarista na história recente, a avaliação negativa do petista recuou oito pontos, de 52% para 44%, dentro da margem de erro de seis pontos. Já no Centro-Oeste, a avaliação negativa disparou dez pontos para cima, de 32% para 42%, com margem de erro de cinco pontos.

Essas variações regionais e demográficas são cruciais para a estratégia do governo, que aposta em pautas prioritárias para tentar reverter o cenário e impulsionar uma reação positiva em camadas estratégicas da população. Na semana anterior à pesquisa, o presidente Lula intensificou sua articulação política, reunindo-se com figuras-chave do Congresso Nacional. Entre os encontros, destaca-se a reunião com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), que, após o encontro, anunciou seu apoio ao petista na corrida presidencial. Outra articulação importante foi com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que já havia destravado pautas consideradas prioritárias para o governo, como o fim da escala de trabalho 6×1, buscando sinalizar avanços legislativos e ganhos para a população.

Em perspectiva histórica, a desaprovação do governo Lula era de 51% há um ano, em setembro de 2025. A aprovação, por sua vez, oscilou de 46% para 48% entre agosto de 2025 e julho de 2026, indicando uma leve melhora que agora se estabiliza. O cenário atual, portanto, é de um governo que consegue manter sua base de apoio geral mesmo diante de crises de imagem envolvendo familiares, mas que enfrenta um desafio persistente na percepção econômica e um desgaste crescente entre os jovens, exigindo uma reavaliação constante de suas estratégias para as próximas etapas da campanha eleitoral.

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