Duda Santos e o Legado de “A Nobreza do Amor”: Uma Reflexão sobre Coletividade, Representatividade e a Força da Voz Feminina

A Nobreza do Amor, escrita por Duca Rachid, Júlio Fischer e Elísio Lopes Jr., transcendeu a mera ficção ao apresentar uma fábula que entrelaça as histórias de amor da princesa Alika e do plebeu Tonho, interpretado por Ronald Sotto, conectando o Brasil e a África em uma narrativa rica e culturalmente relevante. Ronald Sotto, inclusive, já havia antecipado que o impacto da novela não se esgotaria com o fim da exibição, classificando-a como “um acerto para a Globo”. Essa perspectiva reforça a visão de Duda Santos sobre o sucesso do projeto, que, para ela, reside na força do coletivo. “É um projeto que, Lazinho [Lázaro Ramos] falou, foi feito pelas pessoas. As pessoas juntas, unidas, ali, trabalhando e querendo que isso desse certo. Se não fosse isso, não teria acontecido”, explicou a atriz, enfatizando a união como pilar fundamental.
Em um mundo cada vez mais pautado pela tecnologia e pelo individualismo, Duda Santos ressalta a necessidade de valorizar a união humana. “Em uma época tão tecnológica, a gente tem que valorizar a união das pessoas, porque juntos a gente é muito mais forte. Para fazer um projeto, para uma decisão política, para tudo o que a gente acredita. Mais forte pelo amor, pela família. É muito importante a gente se unir para ir atrás do que a gente acredita”, declarou, transformando sua análise sobre o sucesso da novela em um manifesto sobre a importância da solidariedade e do engajamento social. Essa visão é corroborada pelos depoimentos de outros colegas de elenco, como Licínio Januário e Nikolly Fernandes, que também expressaram a profundidade de suas experiências e o aprendizado com seus personagens, Dumi e Kênia, respectivamente, reforçando o ambiente de colaboração e crescimento mútuo.
Uma Jornada de Autodescoberta e Realização
Para Duda, “A Nobreza do Amor” representou a realização de um sonho. Em clima de despedida, a atriz confessou a profunda satisfação em ter feito parte desse momento. “Eu fico muito feliz de ter feito parte desse momento. É uma novela que era o meu sonho. Eu fico muito realizada fazendo essa novela. A gente lutou para chegar nesse momento, né?”, avaliou. A personagem Alika, descrita por Duda como “muito forte, determinada, uma heroína. Digna, corajosa, madura nas suas decisões. Regida pelo seu sonho e seu propósito”, foi um espelho para a própria atriz, que se viu em uma jornada de autodescoberta. O convite para viver a princesa africana veio em um período de ascensão em sua carreira, logo após brilhar como Beatriz, protagonista de “Garota do Momento” (2024), novela que concorre ao Emmy Internacional 2026 na categoria de Melhor Telenovela, um testemunho do reconhecimento de seu talento.
Inicialmente, Duda Santos acreditava que Alika seria uma personagem distante de sua própria essência, mas a experiência provou o contrário. “Eu me encontrei muito com a Alika. Eu não tinha muita coragem para ser quem eu sou. Claro que todas as minhas personagens fizeram parte disso, mas a Alika foi a cereja do bolo para eu aceitar mesmo quem eu sou”, revelou. A personagem a ajudou a reavaliar percepções sobre si mesma. “Eu me achava muito egoísta em alguns momentos da minha vida. Tenho meu trabalho, as minhas coisas, e vou atrás disso, tô focada. Mas na vida todo mundo tem um propósito, e eu acho muito bonito ver essa personagem lutando até o fim pelo propósito dela. Eu estou muito feliz e realizada com esse projeto”, concluiu, evidenciando a transformação pessoal que a arte pode proporcionar.
A complexidade da trama também se estendeu à relação com os colegas de elenco. Duda Santos mencionou a dificuldade de “odiar” o vilão Jendal, interpretado por Lázaro Ramos, devido à admiração pelo ator. “O Lazinho é uma coisa, um amor, uma pessoa incrível! É muito bom trabalhar com ele. Então, é triste me despedir dele também. [risos]. Ele [Jendal] tem que pagar por tudo o que fez. Ao mesmo tempo que é satisfatório, é difícil ver a queda de Jendal”, opinou, ilustrando a dualidade entre a ficção e a realidade dos bastidores.
A Voz da Atriz Contra a Irresponsabilidade Jornalística
Em um dos momentos mais incisivos do encontro com a imprensa, Duda Santos abordou a forma como lida com as críticas e, de maneira contundente, reagiu à sua inclusão na lista da Coluna Gente, da revista Veja, que a apontou entre as “10 celebridades sem carisma”. A atriz não hesitou em classificar a matéria como “desrespeito” e “prepotência”, questionando a autoridade de um veículo em determinar quem possui ou não carisma. “Acho muito delicado você fazer uma matéria colocando a carreira de tantas pessoas em risco. Acho um desserviço! Qual foi o intuito? Eu não vi muito propósito nessa matéria”, disparou, levantando um debate crucial sobre a ética e a responsabilidade no jornalismo.
Duda Santos fez um apelo à seriedade da profissão. “Existem veículos que estão sem responsabilidade pelo ofício. Jornalismo é uma coisa muito séria, que traz informação pra gente, que rege o país. A gente não pode fazer uma coisa tão sem responsabilidade como essa. Ainda mais com a carreira de jovens atores. Tinha um monte de gente ali que está começando agora. Uma galera esforçada, que veio do nada como eu, e que agora está conquistando um lugar”, argumentou, defendendo a integridade de artistas em ascensão e a necessidade de um jornalismo construtivo e justo.
Apesar da indignação, Duda demonstrou maturidade ao lidar com a percepção alheia. “Eu tenho paciência para muita coisa na vida. Até para receber críticas, porque faz parte da vida. Eu não acho que todo mundo vai me achar incrível. Eu não me acho incrível, às vezes. Então, eu dou todo o direito de as pessoas não me acharem também. Eu acho que podem ter muitas opiniões sobre mim, podem achar que eu não tenha carisma. Minha mãe acha que eu tenho. Então, tá tudo bem pra mim”, concluiu com serenidade, reforçando que a validação pessoal não depende exclusivamente da opinião pública, mas sim de um senso de propósito e apoio íntimo. A despedida de “A Nobreza do Amor” não é apenas o fim de uma novela, mas a celebração de uma jornada artística e pessoal de Duda Santos, marcada por conquistas, reflexões e uma voz ativa em defesa da arte e da responsabilidade midiática.