O instituto Datafolha, em levantamento encomendado pela Globo e Folha de S.Paulo, divulgou na noite de ontem, quinta-feira, 17 de setembro de 2026, uma nova pesquisa de intenção de votos para a próxima eleição presidencial, revelando um cenário de acirrada disputa que coloca o atual presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um empate técnico no segundo turno. Realizada entre os dias 15 e 17 de setembro, esta sondagem é a primeira a aferir o pulso do eleitorado brasileiro após uma sessão histórica do Supremo Tribunal Federal (STF) que tratou do controverso caso Master e do envolvimento do ministro Alexandre de Moraes, evento que adiciona uma camada de complexidade e volatilidade ao já tensionado panorama político nacional.
Os números mais recentes do Datafolha indicam que a corrida presidencial se mantém extremamente polarizada. Embora os dados detalhados do primeiro turno desta nova pesquisa ainda não tenham sido integralmente divulgados, o levantamento anterior, realizado em 11 de setembro, serve como um importante ponto de comparação. Naquela ocasião, Lula (PT) liderava com 39% das intenções de voto no primeiro turno, seguido de perto por Flávio Bolsonaro (PL), que registrava 35%. Augusto Cury (Avante) aparecia em terceiro lugar, com 6%, consolidando-se como uma alternativa, ainda que distante dos dois principais contendores.
A simulação de segundo turno, no entanto, é onde a disputa se mostra mais apertada e imprevisível. Na pesquisa anterior, de 11 de setembro, Lula e Flávio Bolsonaro já estavam em empate técnico, com o presidente marcando 46% e o senador 44%. A nova rodada de pesquisas, divulgada ontem, confirma essa proximidade, mantendo os dois candidatos em uma margem de erro que impede a declaração de um vencedor claro neste estágio da campanha. Este cenário de indefinição sublinha a importância de cada movimento político e a capacidade de mobilização de suas respectivas bases eleitorais.
### O Impacto da Crise no STF e o Caso Master
O contexto em que esta pesquisa foi realizada é crucial para sua interpretação. A menção de que este é o primeiro levantamento após a “sessão histórica do Supremo Tribunal Federal sobre o caso Master e o envolvimento do ministro Alexandre de Moraes” aponta para um período de intensa turbulência institucional. Embora os detalhes específicos do “caso Master” não sejam amplamente divulgados, a sua associação com o nome do ministro Moraes e a qualificação de “histórica” para a sessão do STF sugerem um evento de grande repercussão, capaz de influenciar a percepção pública sobre a justiça, a política e a governabilidade.
A crise no STF tem sido um tema recorrente no noticiário, com declarações e ações que reverberam diretamente no cenário eleitoral. O ministro Mendonça, por exemplo, afirmou ter sido vítima de ataques e tentativas de intimidação em meio a essa crise, enquanto Lula o acusou de usar o cargo “para fazer política” e defendeu vazamentos de celular de Vorcaro. Flávio Bolsonaro, por sua vez, tem se posicionado de forma incisiva, chegando a falar em indicar seis nomes ao STF e sugerir o impeachment de Moraes e Dino caso seja eleito. Tais declarações não apenas inflamam o debate público, mas também delineiam as possíveis direções que o Judiciário e o Executivo podem tomar, dependendo do resultado das urnas. A perspectiva de que o próximo presidente terá direito a indicar até quatro ministros do STF adiciona ainda mais peso à disputa, transformando a eleição em um plebiscito sobre o futuro da Suprema Corte.
### Metodologia e Confiabilidade da Pesquisa
Para a realização desta pesquisa presidencial, o Datafolha entrevistou 2.002 pessoas de 16 anos ou mais, entre os dias 15 e 17 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. Isso significa que, se a pesquisa fosse repetida 100 vezes, em 95 delas os resultados estariam dentro dessa margem de erro. O levantamento foi devidamente registrado sob o número BR-04029/2026, garantindo a transparência e a conformidade com as normas eleitorais vigentes.
A margem de erro é um conceito fundamental para entender os resultados de pesquisas eleitorais, especialmente em cenários de empate técnico. Ela indica a faixa de variação provável dos resultados, e em uma disputa tão apertada como a que se desenha para 2026, qualquer oscilação dentro dessa margem pode significar uma mudança na liderança. A escolha dos entrevistados, por sua vez, segue critérios rigorosos para garantir a representatividade da amostra em relação à população brasileira, considerando fatores como região, idade, gênero e nível socioeconômico. As pesquisas eleitorais servem como um termômetro da opinião pública, auxiliando na compreensão das tendências e na formulação de estratégias políticas, mas não devem ser confundidas com o resultado final das urnas.
### O Contexto Político Amplo e as Implicações Internacionais
Além da crise interna no STF, o cenário político brasileiro é influenciado por fatores externos e questões de segurança pública que podem moldar o voto do eleitor. Um rascunho do governo Trump, por exemplo, teria exigido que o Brasil permitisse “dissidentes políticos” a concorrer em 2026, uma interferência externa que, se confirmada, adiciona uma camada de complexidade às relações internacionais e à soberania nacional. Tal exigência, embora não diretamente ligada aos números da pesquisa, reflete uma pressão geopolítica que pode ser explorada no debate eleitoral.
Internamente, a segurança pública continua sendo uma preocupação latente. Relatórios indicando que 41% dos passageiros em São Paulo usam empresas de ônibus suspeitas de ligação com o PCC, e a visão do governo de que relatórios sobre PCC e CV são “muito graves” e abrem brecha para ação militar dos EUA, pintam um quadro de vulnerabilidade e urgência. Essas questões, embora não diretamente abordadas pelos candidatos na pesquisa de intenção de voto, certamente permeiam o imaginário popular e podem influenciar a escolha de um líder que demonstre capacidade de lidar com desafios tão complexos.
A nova pesquisa Datafolha, portanto, não é apenas um retrato dos números da corrida presidencial, mas um reflexo de um Brasil em efervescência, onde a política institucional, a justiça, a segurança e as relações internacionais se entrelaçam para definir o futuro da nação. Com Lula e Flávio Bolsonaro em um embate tão próximo, cada passo, cada declaração e cada desdobramento dos eventos em curso serão cruciais para determinar quem ocupará a cadeira presidencial em 2027.