Nesta quarta-feira, 16 de setembro de 2026, a Academia Brasileira de Cinema fez seu anúncio mais aguardado do ano: o filme “Feito Pipa” foi oficialmente escolhido para representar o Brasil na corrida por uma indicação na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar de 2027. A decisão, divulgada no início da tarde, às 13h35, e atualizada às 14h10, coloca o longa-metragem de Allan Deberton no centro das atenções, iniciando uma jornada desafiadora em busca do reconhecimento da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. A expectativa é alta, mas o caminho até a cobiçada estatueta dourada se mostra íngreme, com uma concorrência global acirrada e desafios logísticos significativos.
Dirigido por Allan Deberton, “Feito Pipa” mergulha na vida de Gugu, um menino de 12 anos interpretado por Yuri Gomes, cuja paixão pelo futebol é o fio condutor de sua existência ao lado da avó, vivida por Teca Pereira. A trama ganha um novo contorno com a possibilidade de Gugu se mudar para viver com seu pai ausente, papel desempenhado por Lázaro Ramos. A narrativa, que explora temas universais como família, infância, finitude e a cumplicidade entre avó e neto, já conquistou corações e prêmios em festivais internacionais, pavimentando o terreno para sua estreia em circuito comercial, prevista para novembro.
A escolha de “Feito Pipa” não foi unânime, mas se destacou entre um seleto grupo de produções nacionais. Na disputa pela pré-indicação brasileira ao Oscar, estavam também os filmes “100 Dias”, “A Fabulosa Máquina do Tempo”, “A Natureza das Coisas Invisíveis”, “Nosso Segredo” e “Vicentina Pede Desculpas”. A presidente da Comissão de Seleção, Clélia Bessa, justificou a escolha em uma publicação no Instagram, ressaltando a “narrativa sensível que comunica universalmente” e a “forte identidade brasileira a partir de uma cidade do interior do Ceará”. Ela enfatizou ainda o reconhecimento prévio do filme em importantes festivais internacionais, um fator crucial para a visibilidade na corrida do Oscar.
O filme teve sua estreia mundial no prestigiado Festival de Berlim, no início deste ano, onde obteve sucesso ao conquistar dois prêmios na mostra Generation Kplus. Embora seja um feito notável, a comissão de seleção e os analistas de cinema reconhecem que o impacto desses prêmios, por terem sido em uma mostra paralela e não na principal, pode não ter a mesma força de outros filmes brasileiros que se destacaram em Veneza ou Cannes nos últimos anos. Essa nuance é fundamental para entender as chances de “Feito Pipa” em um cenário tão competitivo.
A trajetória de “Feito Pipa” até uma possível indicação ao Oscar é, de fato, complexa. Nos últimos dois anos, as produções brasileiras que alcançaram a lista de indicados saíram dos principais festivais de cinema do mundo com prêmios de grande relevância. “Ainda Estou Aqui”, por exemplo, levou o Leão de Prata de Melhor Atriz em Veneza para Fernanda Torres, enquanto “O Agente Secreto” conquistou as Palmas de Prata de Melhor Ator e Melhor Diretor em Cannes, para Wagner Moura e Kleber Mendonça Filho, respectivamente. Esses precedentes estabelecem um alto padrão para o reconhecimento internacional que impulsiona a campanha do Oscar.
A concorrência na categoria de Melhor Filme Internacional para o Oscar 2027 já se mostra extremamente acirrada. Filmes como “Fjord”, da Romênia, e “A Bola Preta”, da Espanha, são apontados como fortes candidatos a diversas categorias, sendo considerados nomes quase certos na premiação. O alemão “Everytime” e o francês “Minotaur” também surgem com grande força na disputa, o que significa que restaria apenas uma vaga mais aberta para “Feito Pipa” tentar se encaixar entre os cinco finalistas. Este cenário exige uma campanha estratégica e eficaz para que o filme brasileiro consiga se destacar.
Além da qualidade artística e do reconhecimento em festivais, a campanha para a indicação é um fator determinante. Filmes como “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto” contaram com um investimento robusto de suas distribuidoras nos Estados Unidos – a Sony Pictures Classics no filme de Walter Salles e a Neon no longa de Kleber Mendonça Filho. Essa estrutura de distribuição e marketing é crucial para garantir que o filme seja visto e considerado pelo maior número possível de votantes da Academia. No entanto, “Feito Pipa” ainda não possui uma distribuidora nos EUA, o que representa um dos maiores obstáculos a serem superados nos próximos meses.
A próxima etapa crucial para “Feito Pipa” é garantir que o filme seja exibido e avaliado pelos membros votantes do Oscar. O primeiro corte, que revelará os pré-indicados, está agendado para 15 de dezembro. A lista final, com os cinco indicados ao Oscar de Melhor Filme Internacional, será divulgada em 21 de janeiro de 2027. A cerimônia de premiação, onde o vencedor será anunciado, está marcada para o dia 14 de março do próximo ano. A jornada é longa e repleta de desafios, mas a esperança de ver uma narrativa brasileira sensível e potente brilhar em Hollywood permanece acesa.