Na noite da última sexta-feira, 11 de setembro de 2026, o estado de São Paulo foi palco de uma série de eventos climáticos extremos que mobilizaram a Defesa Civil, levando à emissão de um alerta severo e à instalação de um gabinete de crise. Impulsionadas por uma frente fria associada a um ciclone e um cavado meteorológico, tempestades com rajadas de vento intensas e chuva de granizo varreram o território paulista, causando estragos significativos desde o litoral norte, com foco inicial em Caraguatatuba, até a capital e sua região metropolitana, além de diversas cidades do interior. O cenário de caos incluiu alagamentos generalizados, quedas de árvores, interrupção no fornecimento de energia elétrica para dezenas de milhares de imóveis e a necessidade urgente de resgates em múltiplas localidades, evidenciando a vulnerabilidade da infraestrutura e da população diante da fúria da natureza.
Alerta Abrangente e Mobilização Imediata
O comunicado inicial de alerta severo foi disparado pela Defesa Civil de São Paulo em razão da tempestade, das rajadas de vento e da chuva de granizo que atingiram Caraguatatuba, no litoral norte do estado, no fim da noite de ontem. Pouco depois, às 23h25, o aviso foi estendido para os moradores de toda a capital paulista, sinalizando a rápida progressão do fenômeno. Segundo o órgão, que prontamente instalou um gabinete de crise para coordenar as ações de resposta, a frente fria provocada pelo ciclone já se encontrava sobre a capital e a região metropolitana. A chuva, que avançava de moderada a forte, concentrava-se na zona sul da cidade e em Embu das Artes, levando a Defesa Civil a disparar alertas via Cellbroadcast para os moradores dessas regiões, buscando garantir a máxima disseminação das informações de segurança.
Impacto na Infraestrutura: Energia e Vias Públicas
Um dos reflexos mais imediatos e abrangentes da tempestade foi a interrupção no fornecimento de energia elétrica. Cerca de 70 mil imóveis na região metropolitana de São Paulo ficaram sem luz em função das fortes rajadas de vento registradas em todo o estado na sexta-feira. A concessionária Enel, responsável pelo serviço na área, informou que esse número representava aproximadamente 0,7% do total de seus clientes, mas ressaltou a grande e constante oscilação no número de imóveis afetados, indicando a dinâmica e a complexidade dos danos na rede. Além da falta de energia, as vias públicas também sofreram com a força dos ventos e das chuvas. Em Ilha Comprida, na Estrada da Vizinhança, Balneário Maria de Lourdes, a queda de uma árvore de grande porte exigiu a intervenção de agentes da Defesa Civil Municipal para sua remoção. No mesmo município, um curto-circuito e incêndio em um transformador na Avenida Beira Mar, nº 12.968, Balneário Britânia, adicionou mais um ponto de preocupação, embora os locais tenham sido deixados em segurança e, felizmente, sem registro de vítimas ou residências atingidas.
Cidades do Interior em Estado de Alerta e Resgate
O interior paulista não foi poupado. Em Sumaré, a chuva intensa que caiu na sexta-feira afetou aproximadamente 100 casas e provocou alagamentos em diversos pontos da cidade. A situação foi tão crítica que ao menos sete pessoas precisaram ser socorridas com o uso de um barco, em uma demonstração da severidade dos alagamentos. Nas regiões de Vila Diva e Crenaque, o transbordamento dos rios Manchester e Primavera resultou em inundações em várias residências. A Defesa Civil atuou prontamente, retirando 15 moradores das áreas mais afetadas e encaminhando-os para abrigos municipais, garantindo sua segurança e assistência.
O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) havia emitido um alerta vermelho para tempestades na tarde de ontem, abrangendo 103 municípios de São Paulo. O aviso, válido até as 23h59, indicava um grande risco de danos provocados pelas condições climáticas extremas, o que se confirmou nas horas seguintes.
Monte Mor e a Luta Contra o Rio Capivari
Monte Mor foi um dos municípios mais castigados, com registros de alagamentos generalizados e resgates de pessoas por barco ao longo do dia de ontem. A cidade permanece em estado de emergência em decorrência do transbordamento do Rio Capivari, que impactou severamente diferentes bairros. Entre as áreas mais atingidas estão Jardim Capoavinha, Jardim Progresso, Jardim Santa Cândida, Jardim Santa Isabel, Condomínio Francisco Pontin, Vila Farid Calil, Chácaras Recreio Planalto e Chácaras Recreio Pindorama. Até o momento, aproximadamente 90 famílias receberam atendimento do Serviço Social, evidenciando a escala do desastre. Uma família do bairro Capoavinha foi removida preventivamente e encaminhada para a residência de familiares, enquanto as equipes de Obras e Meio Ambiente realizaram o transporte de mobiliário de 10 famílias das áreas afetadas, buscando minimizar as perdas materiais. Além dos alagamentos, foram registradas quedas de árvores em vias públicas e uma sobre uma residência na Rua Cristiano Ricardo Sander, nº 302, no bairro Meu Cantinho. Felizmente, não foram constatados danos ao imóvel nem houve necessidade de interdição. Neste momento, o nível do Rio Capivari encontra-se estabilizado, e as equipes de emergência permanecem em campo, realizando o atendimento às famílias e o acompanhamento contínuo da situação.
Jacareí e Campos do Jordão: Danos Estruturais e Deslizamentos
Em Jacareí, até as 18h de ontem, diversas ocorrências relacionadas às chuvas foram registradas. Entre elas, destacam-se quedas de eucaliptos na Estrada do Jaguari e de galhos na Estrada Teófilo Rezende. A infraestrutura também sofreu, com danos em dois imóveis que tiveram queda de telhado, e em outros dois, com queda de muro e talude. Apesar da gravidade dos incidentes, não houve registro de vítimas, pessoas desabrigadas ou desalojadas, um alívio em meio ao cenário de destruição.
Na Serra da Mantiqueira, Campos do Jordão também enfrentou a fúria do tempo. Houve registro de quedas de árvores e deslizamentos em várias localidades, incluindo a Estrada Presidente Castelo Branco, a Avenida Samuel Leão de Moura, o Alto do Capivari e a Rua Alecrim, no Jardim do Embaixador. Quedas de muros foram observadas na Rua Miguel Pereira, na Vila Abernéssia, e na Viela Carapina, no bairro Santa Cruz. Deslizamentos de terra ocorreram na Rua Amácio Mazzaropi, na Vila Paulista Popular, e na Rua 3, no Britador, além de um ponto de alagamento na Avenida Frei Orestes Girardi, na Vila Abernéssia. A combinação de chuvas e ventos fortes transformou a paisagem serrana em um cenário de risco e interrupções.
Rios em Monitoramento e Ventos Recordes
A situação dos rios também foi motivo de preocupação. Na cidade de Piracicaba, o Rio Piracicaba apresentava nível de 4,39 metros, enquanto o Rio Corumbataí encontrava-se com 2,25 metros, ambos sob monitoramento constante das autoridades. As rajadas de vento, um dos principais fatores de dano, atingiram velocidades impressionantes em diversas cidades do estado. Os registros mais altos incluíram: Paraibuna-SP com 84.6 km/h, Piraju-SP com 80.6 km/h, Santos-SP com 80.5 km/h, Manduri-SP com 71.2 km/h, São Bernardo do Campo-SP com 69.9 km/h, Mauá-SP com 68.8 km/h, Ilhabela-SP com 65.9 km/h, Paranapanema-SP com 64.5 km/h, Santos-SP (segundo registro) com 64.4 km/h, Uchôa-SP com 62.8 km/h, Bauru-SP com 61.1 km/h, Sarutaiá-SP com 60.5 km/h, São Miguel Arcanjo-SP com 59.8 km/h, São Paulo-SP com 59.4 km/h, São José do Rio Pardo-SP com 58.6 km/h, Itatinga-SP com 58.3 km/h, Itapevi-SP com 58.3 km/h e Osasco-SP com 58.3 km/h. Esses números demonstram a intensidade e a abrangência do fenômeno em todo o território paulista.
Perspectivas Meteorológicas e Riscos Contínuos
Para as próximas horas, o Estado de São Paulo permanece sob a influência de áreas de instabilidade associadas a um cavado meteorológico e à chegada de uma frente fria, que manterão o tempo instável em boa parte do território paulista. Dessa forma, há condições para pancadas de chuva e/ou temporais isolados, de moderada a forte intensidade, principalmente nas Regionais que fazem divisa com o Paraná e na região de Sorocaba. As tempestades severas podem vir acompanhadas de raios, rajadas de vento e queda de granizo. As autoridades meteorológicas não descartam, de forma pontual e extremamente localizada, a ocorrência de tornados e microexplosões, especialmente ao longo da madrugada de sexta para sábado, o que adiciona uma camada de preocupação à já complexa situação. Esse cenário mantém o solo encharcado e contribui para o aumento do risco de transtornos, especialmente em áreas mais vulneráveis a deslizamentos e alagamentos. Além disso, poderão ocorrer formações de nevoeiros densos à noite, principalmente na faixa central e leste do estado, com possibilidade de redução da visibilidade em alguns trechos rodoviários. A tendência é de dissipação gradual desses fenômenos ao longo da manhã, à medida que o aquecimento diurno se intensifica, mas a vigilância permanece alta diante dos riscos persistentes.