O cenário político paulista e nacional aguarda com expectativa a divulgação de uma nova pesquisa Datafolha, prevista para a próxima sexta-feira, 11 de setembro de 2026. O levantamento, que entrevistou 1.610 eleitores no estado de São Paulo entre os dias 8 e 11 de setembro, tem como objetivo central mapear a disputa presidencial entre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, além de aprofundar a compreensão sobre a avaliação do governo federal e o impacto da recente crise no Supremo Tribunal Federal na percepção do eleitorado. A pesquisa, registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03904/2026, promete oferecer um panorama detalhado da reta final da campanha no maior colégio eleitoral do país, com uma margem de erro máxima de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
A relevância de São Paulo no tabuleiro eleitoral brasileiro é inquestionável, e o Datafolha direcionou seu foco para este estado estratégico para entender as dinâmicas da corrida presidencial. A pesquisa não se limita a apresentar números de intenção de voto, mas busca desvendar as camadas mais profundas do comportamento do eleitor, explorando a solidez das escolhas, as motivações por trás do voto e o grau de rejeição dos principais candidatos. A análise do recorte paulista permitirá observar se as tendências nacionais se replicam ou se diferenciam no estado que frequentemente atua como um termômetro para o resultado final das eleições.
### Cenários Estimulados e a Amplitude da Disputa
O instituto Datafolha estruturou a coleta de dados com uma abordagem multifacetada. Inicialmente, os eleitores foram submetidos a uma pergunta espontânea, permitindo que expressassem suas preferências sem qualquer indução. Em seguida, foram apresentados dois cenários estimulados para a disputa presidencial. O primeiro cenário incluiu uma lista extensa de candidatos, visando testar a força de nomes de diferentes espectros políticos: Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Pablo Marçal, Renan Santos, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Clariana Barão, Edmilson Costa, Hertz Dias, Rui Costa Pimenta, Samara e Veterinário Wilson Grassi. A inclusão de tantos nomes permite ao instituto medir a pulverização do voto e a capilaridade de candidaturas menos conhecidas.
O segundo cenário estimulado repetiu a lista, mas com a exclusão de Pablo Marçal, uma estratégia comum para avaliar o impacto da presença ou ausência de determinados candidatos na distribuição dos votos. Após a indicação do candidato, o Datafolha aprofundou-se na análise da certeza do voto, questionando se a escolha estava totalmente decidida ou se ainda poderia mudar até o dia da eleição. Essa métrica é fundamental para compreender a volatilidade do eleitorado e a potencial margem de manobra dos candidatos na fase final da campanha. Além disso, a pesquisa investigou a motivação do voto, diferenciando entre aqueles que escolhem um candidato por suas propostas e preparo e aqueles que votam principalmente para impedir a vitória de um adversário, revelando o peso do voto útil ou do voto de protesto.
### Confrontos de Segundo Turno e Taxas de Rejeição
A pesquisa Datafolha dedicou atenção especial aos cenários de segundo turno, que frequentemente definem o resultado final das eleições. O confronto principal e mais aguardado colocará Lula diretamente contra Flávio Bolsonaro, um embate que reflete a polarização política observada no país. Além disso, o instituto testou Lula contra outros potenciais adversários, como Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Augusto Cury. Em todos esses cenários, os entrevistados puderam escolher um dos dois nomes, declarar voto branco ou nulo, ou indicar que ainda não sabiam, oferecendo um panorama completo das preferências.
A rejeição dos candidatos é um fator tão decisivo quanto a intenção de voto, especialmente em um contexto de alta polarização. O Datafolha perguntou aos eleitores paulistas em quais candidatos eles não votariam de jeito nenhum no primeiro turno. A lista para rejeição incluiu Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e os demais nomes apresentados nos cenários estimulados. A possibilidade de múltiplas respostas permite uma visão mais acurada sobre o antipatismo do eleitorado, e o levantamento poderá indicar se a proximidade nas taxas de rejeição entre Lula e Flávio, observada nacionalmente, se mantém no maior colégio eleitoral do país. A solidez das bases eleitorais de ambos os candidatos em São Paulo será um dos pontos cruciais a serem analisados.
### O Impacto da Crise no Supremo Tribunal Federal
Um bloco significativo do questionário foi dedicado à crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e aos episódios recentes envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, bem como as mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro. A pesquisa buscou medir a percepção pública sobre a atuação da Corte, questionando se os ministros do STF possuem poder excessivo, se o tribunal é visto como essencial para a proteção da democracia e se a confiança na instituição diminuiu.
A relevância das mensagens de Daniel Vorcaro enviadas a Alexandre de Moraes foi investigada, com perguntas sobre o grau de conhecimento do eleitor sobre o tema e o que, em sua avaliação, deveria acontecer com o ministro Moraes – as alternativas incluíam nenhuma consequência, afastamento temporário, renúncia ou impeachment. O Datafolha também investigou se a divulgação dessas conversas alterou o voto para presidente, gerou dúvidas ou provocou uma mudança efetiva na escolha do eleitor. As mesmas perguntas foram feitas em relação às suspeitas envolvendo André Mendonça, buscando quantificar o impacto desses eventos na decisão eleitoral e na percepção das instituições.
### Avaliação do Governo Federal e Perfil do Eleitorado
Além das questões eleitorais e institucionais, a pesquisa Datafolha atualizou a avaliação do governo federal entre os eleitores paulistas. Os entrevistados foram questionados sobre a performance do governo Lula, classificando-o como ótimo, bom, regular, ruim ou péssimo. Em uma questão separada, o instituto mediu a aprovação ou desaprovação do trabalho do presidente. Esses dados são cruciais para entender o capital político do atual governo e como ele pode influenciar a disputa presidencial.
O levantamento também buscou traçar um perfil mais completo do eleitorado, medindo o grau de interesse por política e a posição dos entrevistados em escalas ideológicas. Foram utilizadas duas escalas: uma que vai do bolsonarismo ao petismo, e outra que varia da esquerda à direita. Essas informações são valiosas para a compreensão das clivagens políticas e da formação de identidades partidárias e ideológicas no estado de São Paulo, oferecendo um contexto mais rico para a interpretação dos dados eleitorais. A divulgação dos resultados na próxima sexta-feira, 11 de setembro, promete agitar o debate político e fornecer subsídios importantes para a análise da corrida presidencial de 2026.